31/01/2015

Deathbeds

      Já parou pra pensar nos últimos dias da sua vida? Normalmente pensamos no que vivemos agora, os corações partidos e as lições aprendidas. Nunca confie em ninguém. Eu nunca gostei dessa frase, não acredito que alguém viva assim. Confie apenas em você mesmo. Ah é? E vai logo confiar na pessoa que fez coisas vergonhosas que você se arrepende até hoje, que achou aquela decisão boa e te impediu de dormir por dias com cenas angustiantes passando pela sua cabeça.
      Eu quero ser capaz de confiar em alguém confiável - sim. Uma pessoa que não vai esconder nada, sem segredos, sem desculpas idiotas. Uma pessoa que confie em mim. Meu medo é não ter em quem pensar nos momentos difíceis, e ter aquele conforto de saber que ele sempre vai estar lá, não importa o que aconteça. Segurança. O rosto que eu vou querer ver nos últimos momentos da minha vida. Ninguém quer morrer sozinho.

      E pra quem pensa nisso e está de madrugada cultivando as olheiras, me agradeça depois:


28/01/2015

Sobre expectativa e frustração

      As aulas começaram de novo, eu achei que seria que nem quando eu estava no ensino fundamental e acordava 5 da manhã pra me arrumar e colocar todos os meus materiais novinhos na mochila, mas eu estou na faculdade. Comecei a não ficar tão animada com essas coisas na sétima série e eu realmente achei que ia ser legal esse início do segundo ano de engenharia, mas não.
      Esse é um dos meus maiores problemas, expectativa.
      Eu não dormi bem essa noite, acabei dormindo a tarde toda e hoje a noite também não vai ser fácil. Não consigo colocar comida na boca sem querer cuspir em alguém, mas estou comendo apesar de querer vomitar. Sinto vontade de chorar toda vez que penso em quanto tempo ainda falta pra faculdade terminar. Não falo com meus amigos antigos e nem os novos, só fico em casa olhando pro teto.
      Eu sempre sempre sempre coloco tudo de mim nas coisas ou nem me importo. Sim, eu quero que a faculdade termine logo, mas eu também não estou deixando de estudar e me esforçar - tudo por um 10. E isso de me dedicar full time com as coisas não vale só com estudos, também sou assim em amizades, jogos, relacionamentos... Nem sempre eu recebo de volta toda a energia gasta e isso desanima.
      Estou desanimada, essa é a palavra que se encaixa melhor agora, as esperanças e expectativas que eu tinha antes foram destruídas por frustrações. Pra quem queria começar as aulas de alemão, muay thai, manter o CR alto pra ir no ciências sem fronteiras, finalmente fazer as aulas práticas na auto escola e ter CNH... Eu acho que preciso fazer mais do que ficar deitada o dia todo pra isso tudo acontecer.



"I don’t think that people accept the fact that life doesn’t make sense. I think it makes people terribly uncomfortable." —David Lynch 

"I have noticed even people who claim everything is predestined, and that we can do nothing to change it, look before they cross the road." —Stephen Hawking

24/01/2015

Stephen Rei e 'A COISA'

      Sim galera, sou fã do "rei do terror". Mas apesar de muitos dos meus livros favoritos dele serem terror e suspense, ele escreve dramas muito bons que são muito conhecidos pelas adaptações para o cinema ("À Espera de Um Milagre", "Um Sonho de Liberdade", "Conta Comigo") . Ex alcoólatra, casado, pai e dono de uma das imaginações mais incríveis do universo fantástico da ficção, esse homem já fez 56 obras com a importante ajuda de sua esposa que sempre o inspirava a continuar.


      Stephen King é o meu escritor favorito porque ele escreve exatamente do jeito que eu vejo o mundo, talvez eu e ele vemos o mundo do mesmo jeito: detalhado, sempre tentando ver a história por trás do comportamento das pessoas, dando muita importância ao relacionamento entre elas e, é claro, no final tem sempre um 'plot twist'.
      Ok, esse último não faz parte do jeito que eu vejo o mundo, mas todas as obras dele te fazem conhecer o personagem, as condições, a vida íntima e depois BANG um tiro na sua cara. Pode ser que esse 'bang' seja alguma coisa pra te dar muito medo ou que te deixe muito emocionado, de qualquer jeito, sempre te pega desprevenido.
      King se inspirou muito em H.P. Lovecraft no livro "IT", um dos mais assustadores que ele já criou e já que eu amo os dois autores, vou falar um pouco do significado que esse livro teve pra mim.
      Tendo o filme e o famoso palhaço assassino que todo mundo já conhece é mais fácil desenvolver esse personagem aqui. Pra quem nunca ouviu falar, a história se passa em Maine (1958) com sete amigos, sempre adolescentes, que estão passando as férias de verão lá.
      Todos os personagens são descritos de forma impecável, cada um com uma personalidade forte e característica. As férias deles mudam quando conhecem "a coisa".
      Esse é um dos monstros mais assustadores que eu já vi, porque ele não é alguém, ele é simplesmente a representação dos seus maiores medos, e quando você fica com muito medo ele te devora.
      Como a vida fora da ficção, todos nós temos medos e se não enfrentamos o medo ele acaba nos 'comendo', nos consumindo. E esse é o único jeito de matar essa coisa, enfrentando. Ele escreve que podemos o destruir com coisas que todos nós temos, o que é reconfortante.
      O livro, apesar de ser consideravelmente grande, vale a pena ler.

Comentário: "Os monstros existem. Os fantasmas também. Eles vivem dentro de nós e às vezes eles ganham."
Nota: Madrugada com chuva forte e trovões.

22/01/2015

Grandes questões da humanidade

      As pessoas criam fórmulas para tudo, fórmula para ser feliz, emagrecer, conviver melhor com as pessoas, trabalhar com mais eficiência... Mas a filosofia diz que não há ninguém que sabe mais de você do que você mesmo. Então quem tem que criar essas fórmulas somos nós próprios.
      E já que essa responsabilidade está em nossas mãos, nós temos que decidir o tempo inteiro para onde queremos ir, por qual caminho, seguindo que regras e de certa maneira abandonando que projetos. Porque toda vez que se escolhe um caminho temos que descartar infinitos outros.
      As escolhas sempre serão dramáticas, eu poderia estar dormindo, acampando, numa festa enchendo a cara, na cama errada de uma pessoa errada, mas estou escrevendo sobre filosofia. As perdas são sempre mais evidentes do que os ganhos em todas elas.
      Em um mundo de infinitas possibilidades com tantas informações, as pessoas ficam angustiadas. A angústia é essa dificuldade de decidir entre tantas opções de vida. Por isso muitos falam que angústia é coisa de rico, a vida de uma pessoa em condições precárias é a única que poderia ser, ele nunca escolheu estar naquela situação.
      Mas estaria essa pessoa mais próxima da felicidade? Claro que não, a falta de angústia não traz felicidade. Afinal ela poderia estar com fome, sede, e ninguém fica feliz nessas situações. E que fique muito claro: resolver o problema da angústia é apenas um entre diversos outros problemas que as pessoas podem ter.
      Temos o avanço da humanidade, das leis, da tecnologia, tudo com o objetivo de facilitar a vida, nos deixar mais feliz. Só que, ao mesmo tempo, as opções e decisões aumentam exponencialmente. As pessoas estão, na realidade, cada vez mais tristes.

20/01/2015

All is fair in love and war

      Nem tudo é justo no amor e na guerra.
      Já foi criado um código moral que muitos países seguem para que nenhuma injustiça aconteça. Fair play, como os esportistas dizem. Impede que um tenha vantagem contra o outro, para que eles não usem de artifícios para facilitar a vitória. Preserva o espírito esportivo, considerado mais importante que ganhar. Você não tem a obrigação de testemunhar contra seu marido ou mulher. Essa foi uma regra criada para conservar algo mais importante que a verdade. O amor.
      Nós não fizemos o universo, a natureza, elas já estavam aqui, mas nós podemos fazer julgamentos sábios. Tanto que tivemos a capacidade de criar regras que agradam a maioria da sociedade, facilitando a convivência. Mas algumas coisas que não são aceitáveis na guerra e no amor podem ser não só perdoadas como recomendadas. Ler mensagens que não foram mandadas pra você, disfarçar e até matar podem ser considerados crimes passionais.
      Amor e guerra colocam coisas diferentes em risco. Violar a lei da guerra é um crime, mas não existe uma lei oficial do amor. Você não pode acusar o cupido por um coração partido, você não pode mandar alguém para a prisão por não te amar de volta e nem pode ligar pra polícia se alguém te deixar por outra pessoa. E mesmo assim nós sempre torcemos para que aquele personagem fictício deixe alguém para seguir seu coração, que abandone alguém no altar para ficar junto do seu amor verdadeiro.
      Seria o amor uma desculpa melhor para mal comportamento do que a guerra? Não para um crime, obviamente. Entretanto a guerra foi criada pelo homem. O amor é uma condição, assim como a morte, inevitável. Natural. Não podemos acusar a gravidade por fazer as coisas caírem. Então quem somos nós para acusar alguém de abandonar e deixar uma pessoa para seguir sua paixão?

"The heart has its reasons, which 
reason knows nothing of"
Blaise Pascal

13/01/2015

Levanta da cama porra

      Hoje dormi durante 13 horas, acordei 18h suando e morrendo de fome. Não sei se é anemia, preguiça ou depressão que está causando toda essa fadiga, só sei que preciso fazer alguma coisa da minha vida, desse jeito não tem como.
      Ainda tenho sono e quero dormir, minha mãe me pediu pra comprar uma coisa pra ela hoje mas sério, não vai dar pra sair de casa desse jeito. Sem falar da ansiedade que é sair de casa, da minha zona de conforto.
      Tenho uma dieta saudável, mantenho ela para diminuir meu colesterol. Consigo andar longas distâncias sem morrer de cansaço. E como um ótimo exemplo hoje, durmo muito. O que tem de errado comigo? *bocejando*
      Eu sei que isso não é saudável, ficar deitada o dia todo, não sair do computador, ficar sem falar com humanos por dias com humanos porque eu falo com meu gato, mas não estou conseguindo fazer mais nada.
      E ao mesmo tempo não quero ajuda, estou feliz assim. "Feliz". Na verdade contente. Mas já que eu não fui criada desse jeito eu vou pedir ajuda, mesmo contra minha vontade. Esse estilo de vida pode ser muito prejudicial pra mim e a última coisa que eu quero é ser uma velha jovem.
      Dá preguiça só de pensar que eu vou ter que sair da cama, interagir com humanos. UGH.

09/01/2015

Fases

      Eu nunca fui de aceitar as coisas, lutava pelo o que acreditava, me colocava em muitas situações e era forte. Não sabia o significado de medo. Será que mudei tanto assim? O que eu estou esperando? Quando que comecei a ser tão normal?
      Quero ser aquela garota louca que um dia fui, fazendo o que quero, o que me fazia feliz. Não ligava em incomodar as pessoas, simplesmente ignorava todos aqueles olhares de julgamento em rostos estranhos.
      Costumava fazer amizades em qualquer lugar, não importava como eles eram, quantos anos eles tinham, de onde eles vieram ou o quanto viveram. Nós apenas compartilhávamos opiniões, pensamentos, sentimentos. E depois nunca mais iria revê-los. Eu sinto falta de ser parte de alguma coisa, onde eu nunca me sentia sozinha.
      Mas o que realmente importa é que essas pessoas fizeram diferença na minha vida. Eu aprendi com eles e eles aprenderam comigo. Mesmo não lembrando seus nomes ou faces, sempre terei um pedaço de suas experiências comigo. Sempre.
      Decidi o que quero fazer da minha vida pelo menos, quero ser feliz. Quero esquecer tudo aquilo que me aborrece, ignorar as coisas que me deixam ansiosa e concertar as coisas que me deixam triste.
      Quero aprender com meus erros, fazer o meu melhor. Dormir ouvindo minhas músicas favoritas, sonhar com dragões. Falar o que eu penso, pensar no que falo. Sorrir para um estranho e mudar o dia de alguém. Quero ensinar, quero aprender. Quero mudar sempre.
      Acho que mesmo diferente, continuo a mesma. O céu é o limite.

05/01/2015

Risco de raios e trovões

      Acabei de sair do telefone com minha mãe, ela não me ligou pra falar que está com saudade e nem pra lembrar de pagar as contas, veio rir da minha cara porque onde eu moro a chuva se exaltou muito e fica explodindo grandes descargas de energia nos outros. Além de rir ficou falando com voz de bebê que isso era muito fofo, agora tenho que ficar abraçando meu gato pra me sentir segura.
      Sim, tenho medo do barulho de trovão. Na verdade, qualquer barulho alto, inesperado e que apresenta perigo me deixa toda cagada com muito medo. Gritos, tiros, fogos de artifício, trovões, bombas, o APOCALIPSE e etc. E toda vez que eu sinto medo eu me encolho, tapo os ouvidos e quero chorar. Eu até comecei a sussurrar no telefone.
      O que dá medo nas pessoas? No caso, o que faz as pessoas sentirem medo? Resolvi não pesquisar e tentar tirar minhas conclusões por experiência própria. A única palavra que me veio foi trauma. Mas e o medo de morrer? Quem tem medo provavelmente nunca teve a experiência de morte, só que eu também nunca fui atingida por um raio, nunca estive em um relacionamento sério, nunca caí de um lugar alto e ainda tenho medo.
      A imaginação humana realmente vai longe, a antecipação pode traumatizar tão facilmente como uma arma pode matar. O nosso pensamento vai nos atingir com tanta intensidade quanto um raio em uma árvore, causando incêndios e mortes. E mesmo assim, gênios pensam e imaginam. Escritores, inventores, poetas, pintores, músicos.
      Eu amo escrever, uso muito minha imaginação e sinto que já passei por coisas que não cheguei nem perto de passar. Talvez a ansiedade ajude, me fazendo sempre me preparar para o pior, sempre vivendo antecipadamente, reproduzindo o futuro. Mas ninguém pode prever o futuro, não exatamente.
      Então, por que ainda me preocupo com raios caindo na minha cabeça? Estou segura em casa, a probabilidade é quase nula. Mas se não tivesse tanto medo estaria fora de casa, aumentando as chances de acontecer aquilo que eu não quero que aconteça. Ou nunca aconteceria. E sinceramente o que me deixa com mais medo são as experiências que perco quando não tento, quando não me arrisco.

03/01/2015

2015 \o/

      Comecei meu ano bêbada e caminhando uma distância absurda, que nem ano passado, será que esse ano vai ser igual? Ou melhor ainda? Não sei, mas tenho planos. Planos que nem tenho certeza ainda, sei que vou tentar fazer tudo que posso pra realizar todos eles.
      Esses dias que fui passar a virada do ano na praia fiquei sem internet e televisão, aproveitei pra pensar muito no futuro e o resto do tempo eu consegui não pensar em nada.
      Sem saber a hora, o dia, as notícias nem nada. Respirava e olhava pra praia, natureza perfeita, ouvia o barulho do mar na melhor companhia que se pode pedir, amigos. E nesse silêncio percebi que não precisava fingir, me preocupar, nada. Nada nada.
      O esforço pra socializar que eu faço em festas de família, na faculdade, em público cansa muito e em dezembro já não aguentava mais. Foi bom parar um pouco e foi assim que eu reparei que o ano acabou, a ficha finalmente caiu.
      Mas nada mudou, a única mudança que pode acontecer depende só de mim. Felicidades e tristezas acontecem sempre e eu tenho que aceitar. Quero sair da minha zona de conforto, longe de todas essas pessoas. Ninguém pode me ajudar, nada dura pra sempre e isso vai me deixar pra baixo, eu sei.
      Aprendi que tudo passa mas sempre vale a pena, mesmo quando a gente quer que nunca acabe, um dia vai acabar. E o amor vem e vai embora, só tenha certeza que ele vai voltar, com um rosto e um jeito diferente, mas volta.